um ano de expectativas nutridas, amor envelhecido em barril de saudade, enfim nos abraçamos com o já esperado repúdio à intimidade de um corpo que só existia em ideia. seu toque segue o mesmo, mas as mãos trejeitam gestos outros, ritmos estranhos em sincronia com essa sua mente em outra distância, outro tempo até então agora.
sabe, durante muito o que fiz foi esperar. esperava e assim refletia para então talvez agir. agora é diferente. agora eu vejo e sinto e rebato quando necessário, sou frio quando quero ser, espero que compreenda o que digo, espero que compreenda o que posso.
eu dormia emaranhado na sua respiração e não pude sonhar direito. tua ansiosidade perpassava nosso colchão e eu finalmente entendia o quão pequena uma cama pode ser. eu levanto, ligo o ventilador e desloco-me à cozinha para comer um pedaço do chocolate. volto, deito, consigo enfim dormir. já não sonho. você está aqui.
7.9.15
4.9.15
ando pelas ruas da carioca pensando: os dias passam e cada vez mais atrelo-me sentimentalmente a este caos, a este ritmo, essa paisagem. atravessando a rua eu penso no quanto toda a desordem tem seu sentido intrínseco que eduardo paes nenhum jamais conseguirá entender, prever, domar. daí ando pela calçada com a miséria batendo à porta e pedindo que eu comprasse produtos que sequer direciono o olhar porque sei de antemão que por mim nunca serão comprados. ando pouco mais, lá está o paço com a exposição da bethânia - maria de todos nós - e a praça xv, 1808 foi aqui, penso, dividindo meus pensamentos com os passos apressados e as buzinas e miséria cotidiana dessa periferia de mundo.
é como se de nada servissem todos esses pensamentos que me sobreveem à mente sem permissão, quando vejo já estou pensando; de que razão, de que razão eles vêm? para que servem, qual sua utilidade? meramente entretenimento enquanto caminho sem bateria no celular? distração para não acometer-me com os males inerentes a todos os meus privilégios sociais? de que adiantam todas as elocubrações metafísicas se em nada, em nada elas são capazes de alterar, minimamente, a realidade humana?
eu não sirvo para os versos tampouco às teorias. minhas imagens não são harmônicas e meu braço sequer é capaz de carregar uma caixa cheia. não sei faxinar, não sei calcular. de nada sirvo, aparentemente.
hoje dividi a noite com uma sensação agonizante enquanto os segundos passavam distantes. mal tive fome, mal tive sede, não fiz o que deveria e minha mente sei lá onde esteve. agora enquanto escrevo vem o sono redentor de todos os tédios a me salvar da existência - burguesa, burguesa, burguesa. céus, pra que tanto drama se meus dramas são dramas de um privilegiado? posso eu rebelar-me sem armas? acode, drummond
é como se de nada servissem todos esses pensamentos que me sobreveem à mente sem permissão, quando vejo já estou pensando; de que razão, de que razão eles vêm? para que servem, qual sua utilidade? meramente entretenimento enquanto caminho sem bateria no celular? distração para não acometer-me com os males inerentes a todos os meus privilégios sociais? de que adiantam todas as elocubrações metafísicas se em nada, em nada elas são capazes de alterar, minimamente, a realidade humana?
eu não sirvo para os versos tampouco às teorias. minhas imagens não são harmônicas e meu braço sequer é capaz de carregar uma caixa cheia. não sei faxinar, não sei calcular. de nada sirvo, aparentemente.
hoje dividi a noite com uma sensação agonizante enquanto os segundos passavam distantes. mal tive fome, mal tive sede, não fiz o que deveria e minha mente sei lá onde esteve. agora enquanto escrevo vem o sono redentor de todos os tédios a me salvar da existência - burguesa, burguesa, burguesa. céus, pra que tanto drama se meus dramas são dramas de um privilegiado? posso eu rebelar-me sem armas? acode, drummond
31.8.15
30.8.15
todo o mundo parece tão feliz o tempo todo que quando tanta tristeza é exposta
nenhuma reação:
um nada de nada.
»»»»
todo o mundo o tempo todo feliz feliz
feliz todo o mundo parece tão, tão feliz tempo todo tudo
tão demais
tempo demais todo pensado em feliɀ
cidade
feliɀ
consumo
feliɀɀfeliɀɀɀ,
todo o mundo tão feliz o tempo todo que até se esquece
até se esquece----
tristeza também
feliz tempo todo
sem saber
〈coitad-s〉
sem saber triste também
o triste também é belơ
o triste também é belo porque
confuso porque
sentido porque
pra que¿?
se todo o mundo feliz feliz o tempo o tempo tempo todo,
céus⍪
então todo tudo
tudo sempre tảỡ, céus,
céus⍪
««««
felicidade todo o tempo,
triste tédio:
todo o mundo o tempo todo
triste sem saber
nenhuma reação:
um nada de nada.
»»»»
todo o mundo o tempo todo feliz feliz
feliz todo o mundo parece tão, tão feliz tempo todo tudo
tão demais
tempo demais todo pensado em feliɀ
cidade
feliɀ
consumo
feliɀɀfeliɀɀɀ,
todo o mundo tão feliz o tempo todo que até se esquece
até se esquece----
⊱tristeza⊰
também
⊱beleza⊰
tristeza também
feliz tempo todo
sem saber
〈coitad-s〉
sem saber triste também
o triste também é belơ
o triste também é belo porque
confuso porque
sentido porque
pra que¿?
se todo o mundo feliz feliz o tempo o tempo tempo todo,
céus⍪
então todo tudo
tudo sempre tảỡ, céus,
céus⍪
««««
felicidade todo o tempo,
triste tédio:
todo o mundo o tempo todo
triste sem saber
24.8.15
céus,
engraçado (ou talvez meramente patético) o quanto eu busco respostas em vidas alheias, experiências outras. cá estou eu lendo um texto de um desses empreendedores do vale do silício sobre a importância de uma rotina matinal extremamente regrada para a concepção de que, sim, tenho controle de minha vida e, sim, sonhos são alcançáveis, etc, etc.
tudo ótimo, eu mesmo fui ler o texto por compartilhar uma pré-disposição para este tipo de prática, sabe, realmente é muito bom ter alguma rotina minimamente estabilizada (veja-se euzinho hoje sem querer acordar porque, bem, não tava mesmo a fim, não tenho textos lidos tampouco a vontade de levantar-me para enfrentar o dia-a-dia, rotina nessa cidade caótica) mas então o choque: o cara usava uma máquina que dizia quando a mente dele estava, de fato, calma.
céus, céus, céus. por que?
por que raios alguém compraria uma máquina para meditar? a ideia é exactamente a libertação humana por suas próprias capacidades cognitivas, a supressão das necessidades mundanas mediante a consciência de sua condição no espaço-tempo do aqui-agora, céus, por que raios alguém compraria uma máquina para meditar?
ela custa 295 dólares (4 dólares de desconto, 1%, segundo amazon, amazon, amazon)
o rapaz-moço também parece reservar uns 20 minutos, 20 minutos de tempo de suas manhãs-sempre-as-mesmas a ler ler ler sucessos alheios, exemplos bem dispostos de gente que conquistou sonhos porque criou sonhos porque fez de seus sonhos os sonhos alheios, fez de seus sonhos os outros sonhos dos outros das outras tantas tantas pessoas por aí a tentar conquistar sonhos sonhos sonhos (seus sonhos?) céus, por que raios alguém compraria uma máquina para meditar?
mas gente o rapaz-moço diz tudo o que faz, detalhe por detalhe, quer que todo o mundo - todo o mundo? - faça igual? será que todo o mundo - todo o mundo? - pode fazer o mesmo e chegar no mesmo e fazendo o mesmo e chegando no mesmo todos os sonhos chegariam lá - por serem o mesmo sonho o de todo o mundo - todo o mundo?
céus,
eu preciso de uma máquina
de meditar
pra ser quem
quero eu
ser?
quem?
tudo ótimo, eu mesmo fui ler o texto por compartilhar uma pré-disposição para este tipo de prática, sabe, realmente é muito bom ter alguma rotina minimamente estabilizada (veja-se euzinho hoje sem querer acordar porque, bem, não tava mesmo a fim, não tenho textos lidos tampouco a vontade de levantar-me para enfrentar o dia-a-dia, rotina nessa cidade caótica) mas então o choque: o cara usava uma máquina que dizia quando a mente dele estava, de fato, calma.
céus, céus, céus. por que?
por que raios alguém compraria uma máquina para meditar? a ideia é exactamente a libertação humana por suas próprias capacidades cognitivas, a supressão das necessidades mundanas mediante a consciência de sua condição no espaço-tempo do aqui-agora, céus, por que raios alguém compraria uma máquina para meditar?
ela custa 295 dólares (4 dólares de desconto, 1%, segundo amazon, amazon, amazon)
o rapaz-moço também parece reservar uns 20 minutos, 20 minutos de tempo de suas manhãs-sempre-as-mesmas a ler ler ler sucessos alheios, exemplos bem dispostos de gente que conquistou sonhos porque criou sonhos porque fez de seus sonhos os sonhos alheios, fez de seus sonhos os outros sonhos dos outros das outras tantas tantas pessoas por aí a tentar conquistar sonhos sonhos sonhos (seus sonhos?) céus, por que raios alguém compraria uma máquina para meditar?
mas gente o rapaz-moço diz tudo o que faz, detalhe por detalhe, quer que todo o mundo - todo o mundo? - faça igual? será que todo o mundo - todo o mundo? - pode fazer o mesmo e chegar no mesmo e fazendo o mesmo e chegando no mesmo todos os sonhos chegariam lá - por serem o mesmo sonho o de todo o mundo - todo o mundo?
céus,
eu preciso de uma máquina
de meditar
pra ser quem
quero eu
ser?
quem?
15.8.15
13.8.15
uma questão a ser considerada é o fato de eu querer ficar criando identidades para cada vômito meu internet afora. não, nunca isso será possível porque eu sou caos e caos e do nada (do nada) só respiro e foda-se, vou lá viver minha vida burguesa e me preocupar com uma profissão ingênua que olha o mundo mas não muda o mundo mas não molda o mundo mas não
daí essa ânsia: eu sei que o pensamento inerte queima, arde, cria câncer mesmo no corpo mas como me cristalizar enquanto eu numa realidade num tempo numa ideia do que penso ou pareço ou quero ser? eu sei lá o que quero ser?
embrace your weirdness. thats what i've read somewhere on the internet and it made so much sense to me that right now i feel like i can only express this (poorly) in english. maybe thats not the weirdness they that was told about but whatever. whatever.
maybe i'll never be who i think i might want to be; maybe i'll just stay an older version of me as my parents became an older version of them and made me (at least with love) and i'll just have to tender some kind of person so i can feel that any of my feelings about the state of the world is kind of memorable.
maybe creating memories for myself isnt enought. maybe i'm in some kind of journey of memories for others - memories like my owns - and its so fucking hard, so fucking hard.
i'm not trying. im just faking it. faking it so i can feel like ive tried in some short future but still faking.
fake fake fake
fake
fake
sair da zona de conforto
sair da zona
de
conforto
é,
daí essa ânsia: eu sei que o pensamento inerte queima, arde, cria câncer mesmo no corpo mas como me cristalizar enquanto eu numa realidade num tempo numa ideia do que penso ou pareço ou quero ser? eu sei lá o que quero ser?
embrace your weirdness. thats what i've read somewhere on the internet and it made so much sense to me that right now i feel like i can only express this (poorly) in english. maybe thats not the weirdness they that was told about but whatever. whatever.
maybe i'll never be who i think i might want to be; maybe i'll just stay an older version of me as my parents became an older version of them and made me (at least with love) and i'll just have to tender some kind of person so i can feel that any of my feelings about the state of the world is kind of memorable.
maybe creating memories for myself isnt enought. maybe i'm in some kind of journey of memories for others - memories like my owns - and its so fucking hard, so fucking hard.
i'm not trying. im just faking it. faking it so i can feel like ive tried in some short future but still faking.
fake fake fake
fake
fake
sair da zona de conforto
sair da zona
de
conforto
é,
Assinar:
Postagens (Atom)