Mostrando postagens com marcador um texto sem muita razão de ser. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador um texto sem muita razão de ser. Mostrar todas as postagens

3.3.17

Não sou feito de carnaval

Pós quarta-feira de cinzas, dois mil e dezessete.

Não sou feito de carnaval.

Nada contra a festa, na realidade eu até gosto bastante, mas minha personalidade não se adapta bem aos festejos de uma cidade inteira em festa pública.

Sou de prazos e regularidades, padrões, sequências; a noite de sexta é, portanto, o choque natural do pedro-sociólogo acostumado às massas trabalhadoras e cansadas, silentes no transporte público, com a noite da explosão, dos estilhaços de realidades, da brincadeira de ser quem se quer.

Digo, racionalmente eu entendo, eu sei que vou presenciar tudo aquilo; meu espírito, no entanto, demora a adaptar-se - geralmente acontece lá pelo terceiro dia - e enquanto isso viro o chato do rolê, a cara emburrada no bloco.

Passei um glitter na cara e, preocupado com minha aparência, só depois notei que bastava o desejo de brilhar para justificar o que quer que estivesse na minha testa.

Esse ano fiquei na cama assistindo animes e séries quatro dias consecutivos. Achei que fosse sair algum dia, talvez um convite irrecusável, mas este não veio.

Minha ressaca da folia é readaptar-me à rotina das burocracias habituais