todas as vezes que não seguramos as mãos e não tiramos fotos quando estávamos felizes e não registramos em beijos que não estaríamos juntos
todas as vezes que eu saí da cama sem te acariciar o rosto barbado e os olhos sonhando (o que?)
aquelas vezes que eu poderia ter perguntado sobre o que estaria pensando, eu quase nunca perguntava
pensando bem, você nunca me contava seus sonhos
as comidas que nunca mais faremos
a decoração que não vamos escolher
as crianças que não vamos amar
os gatinhos que teríamos
(não teremos)
sabe,
tudo isso é tão
lindo...
17.5.18
"é difícil, né... crescer"
sim, é bem difícil
eu me sinto uma criança mimada sabe
quero quero quero quero
teu desejo, teu afeto
quero seus braços enrolados no meu pranto e teus lábios dizendo que me ama
não esse amor fraternal de merda, não
porra
eu quero aquele amor com GOSTO, aquele que fode a noite inteira e
não, nada disso
hoje eu peguei o metrô e chorei depois de conversar com você na manon
foi lá que eu percebi que nossos planos fugiram e que aprendemos juntos
sobre caminhos separados
racional, tentei de induzir ao erro de frustrar a tentativa decidida e falhei
(que bom)
falhei em pensar que poderia voltar a algo que não foi
(era?)
o que pensava, eu falhei
hoje eu te entreguei todas as suas coisas que minha raiva alcançou naquele sábado e couberam em duas sacolas de papel. uma delas tinha aquele ovo de páscoa que ganhei da minha irmã e dividimos porque era muito doce pra mim. foi bom, sabe, eu gostava de dividir doces com você e laricas com farelos na cama. hoje a gente entrou na manon e sentou próximo a um casal, pareciam um casal de homens, como nós, antes garotos agora homens, que se amam (amavam) que se amam e se desejam (eu desejo) e conversavam. eu tinha uma lista anotada no celular, queria falar tudo, eu queria falar tudo que meu coração pedia enquanto aos prantos justificava o porquê de não nos querer o destino festejar, de não querer dividir um apartamento barato, pensar em ter crianças e fugir pro interior quando desse vontade. eu fiquei tentando entender por que nossos planos passados se foram e por que você pareceu ter me cortado de uma vez só, sem nem chance pra tentar, e tentar, e tentar até gastar toda a energia que havia em mim porque o amor tem dessas, o amor te entrega ao ódio de querer alguma coisa que você não sabe e faz sem saber porque sente, sabe. eu queria tentar, você disse que tentou, eu não soube identificar as tentativas e agora acuso o pedro-passado de não ter se esforçado (ele se esforçou!!!!!!) mas o pedro presente, nossa, está puto com o passado. por que gritei no carnaval? por que por que por queeeeeeeeeeeeeeeee eu fiz tudo o que fiz, falei o que disse, por que eu
por que não nós?
a gente se dava tão bem e parece que no primeiro problema, tchau, sabe, no primeiro problema você pensa que pode ir embora MAS NÃO PODE (claro que pode) e foi, foi embora e eu aqui, nossa, eu aqui TRISTE e com RAIVA e essa merda desse mundo que continua?????
eu te falei das minhas expectativas chorando e tentei, patético, sensibilizar-te de minha causa. em vão. nenhuma lágrima no rosto, eu levei até uma cartinha, porra, que bosta, ainda falei isso BAIXEI MINHAS DEFESAS PRA TENTAR MANTER ESSE QUERER, céus, céus, eu tentei.
quero tentar de novo, mas chega. quero enviar mensagens, mas basta. sua conversa será esquecida naquela fila interminável do whatsapp, eu vou querer te enviar uma curiosidade, uma anedota sobre meu viver, mas não. eu vou querer ouvir falar sobre sua prova e sobre o fim do semestre - em vão. eu vou querer tantas coisas que não terei. eu vou querer sua presença aqui, agora, céus, FOSSEM OUTROS TEMPOS, fosse 2013 eu estava nos seus braços sem saber que agora não mais estaria.
foram 5 anos.
nada, eu sei. eu sei que sei. eu sei que sei saber, mas eu não quero saber, eu quero sentir, eu quero sentir e sentir e sentir e ter esperança.
eu falei que queria ouvir ele, mas ele não tinha muito a dizer. eu queria lembrar de tudo que ele disse. em todos os detalhes. ele disse que estava gripado - e os sentimentos, eu disse, ele disse - estou triste e aliviado. alívio de não ter mais que pensar em como suas ações afetam os outros, triste pela situação. disse que está se renovando, eu entendo, que tá cortando algumas coisas da vida - como nossa relação, eu disse, é... acho que ele ficou ofendido, mas eu precisava daquilo. disse que não se sentia confortável na minha casa (razoável, eu disse, eu também não me sinto na sua, não é nosso espaço, sabe) e que devolveu a chave porque achava que deveria... disse que não estava planejando nada e que não transava comigo porque tinha tanta coisa na cabeça - por que não me disse essas coisas - eu tentei dizer, do meu jeito. eu não entendo o jeito dele e pego as coisas com demora. eu disse que nossa última foda foi a melhor e disse como queria que meu corpo fosse usado, mas ele não quer mais o meu corpo.
eu falei que tinha planos, expectativas, que ele me fez ter planos, expectativas, e ele disse que ele deixou de tê-los porque eu colocava ele no chão, sabe, não deixava sonhar demais. é verdade, eu atentava muito para isso, mas céus, céus, céus VAMOS TER UMA VIDA AGORA
eu falei que talvez saísse de casa, ele ficou feliz. disse para convidá-lo, eu disse que convidaria. perguntei se ele já tinha avisado as pessoas - algumas, sim - sua mãe? - sim - deu o presente? - sim, ela gostou - que bom, disse, escolhi com carinho
eu queria ouvi-lo, mas ele não sabia o que dizer. eu queria ouvi-lo pra sempre, na verdade, e posterguei nossa partida o quanto pude. eu chorava e choro ainda (por quanto tempo?) me chamam para sair, eu saio, mas choro.
- estou aqui se você precisar, tá? - eu fico feliz de saber disso
eu quero que ele precise
mas sei que não posso querer
e agora, como restaurar o sentimento de mundo? como encontrar graça na vida? ressignificar os gestos mais básicos, como esse colchão, o pote de biscoitos de curitiba, frango frito, quando ainda comíamos carne, céus, a varanda e as lembranças, as lembranças, as lembranças que vão ficar na minha cabeça como um fantasma de OLHA O QUE PODE SER A FELICIDADE
a verdade é que eu fui tão feliz, tão feliz, que agora não sei se poderei ser novamente. na maioria das vezes eu to apenas ok, sabe, eu to ok porque é mt ruim estar nessa realidade, eu to ok e estar com ele era tão... aconchegante. eu queria esse aconchego. eu queria ter crianças que sentissem o quanto aquele colo era seguro, aquele olhar, carinhoso, aqueles abraços, apertados, aqueles músculos, firmes, aquela cabeça, brilhante, aquele ser: lindo.
- você é um homem incrível, sabia? - eu não sou - to dizendo que é
- eu fazia apenas o mínimo e isso era muito pra você - é porque seu mínimo era radiante
eu to triste, sabe, e não sei por quanto tempo vou continuar triste, e vou ficar tão triste por tanto tempo, eu não sentia isso desde 2012, é ruim demais ficar triste triste triste e sem perspectiva de se sentir feliz, porque felicidade FELICIDADE nossa, ela é tão rara hoje em dia
queria até uma alegria mansa de clarice, sabe, to aceitando ela também, eu queria uma alegria mansa
eu queria ter aprendido antes o que to aprendendo agora porque se tivesse aprendido talvez não precisasse aprender
e viver na ignorância é uma bênção
eu to triste, sabe, tão triste que nem sei
por quanto tempo eu vou
ficar tão triste assim
pra onde vai o amor que você não pode mais trocar?
eu me sinto uma criança mimada sabe
quero quero quero quero
teu desejo, teu afeto
quero seus braços enrolados no meu pranto e teus lábios dizendo que me ama
não esse amor fraternal de merda, não
porra
eu quero aquele amor com GOSTO, aquele que fode a noite inteira e
não, nada disso
hoje eu peguei o metrô e chorei depois de conversar com você na manon
foi lá que eu percebi que nossos planos fugiram e que aprendemos juntos
sobre caminhos separados
racional, tentei de induzir ao erro de frustrar a tentativa decidida e falhei
(que bom)
falhei em pensar que poderia voltar a algo que não foi
(era?)
o que pensava, eu falhei
hoje eu te entreguei todas as suas coisas que minha raiva alcançou naquele sábado e couberam em duas sacolas de papel. uma delas tinha aquele ovo de páscoa que ganhei da minha irmã e dividimos porque era muito doce pra mim. foi bom, sabe, eu gostava de dividir doces com você e laricas com farelos na cama. hoje a gente entrou na manon e sentou próximo a um casal, pareciam um casal de homens, como nós, antes garotos agora homens, que se amam (amavam) que se amam e se desejam (eu desejo) e conversavam. eu tinha uma lista anotada no celular, queria falar tudo, eu queria falar tudo que meu coração pedia enquanto aos prantos justificava o porquê de não nos querer o destino festejar, de não querer dividir um apartamento barato, pensar em ter crianças e fugir pro interior quando desse vontade. eu fiquei tentando entender por que nossos planos passados se foram e por que você pareceu ter me cortado de uma vez só, sem nem chance pra tentar, e tentar, e tentar até gastar toda a energia que havia em mim porque o amor tem dessas, o amor te entrega ao ódio de querer alguma coisa que você não sabe e faz sem saber porque sente, sabe. eu queria tentar, você disse que tentou, eu não soube identificar as tentativas e agora acuso o pedro-passado de não ter se esforçado (ele se esforçou!!!!!!) mas o pedro presente, nossa, está puto com o passado. por que gritei no carnaval? por que por que por queeeeeeeeeeeeeeeee eu fiz tudo o que fiz, falei o que disse, por que eu
por que não nós?
a gente se dava tão bem e parece que no primeiro problema, tchau, sabe, no primeiro problema você pensa que pode ir embora MAS NÃO PODE (claro que pode) e foi, foi embora e eu aqui, nossa, eu aqui TRISTE e com RAIVA e essa merda desse mundo que continua?????
eu te falei das minhas expectativas chorando e tentei, patético, sensibilizar-te de minha causa. em vão. nenhuma lágrima no rosto, eu levei até uma cartinha, porra, que bosta, ainda falei isso BAIXEI MINHAS DEFESAS PRA TENTAR MANTER ESSE QUERER, céus, céus, eu tentei.
quero tentar de novo, mas chega. quero enviar mensagens, mas basta. sua conversa será esquecida naquela fila interminável do whatsapp, eu vou querer te enviar uma curiosidade, uma anedota sobre meu viver, mas não. eu vou querer ouvir falar sobre sua prova e sobre o fim do semestre - em vão. eu vou querer tantas coisas que não terei. eu vou querer sua presença aqui, agora, céus, FOSSEM OUTROS TEMPOS, fosse 2013 eu estava nos seus braços sem saber que agora não mais estaria.
foram 5 anos.
nada, eu sei. eu sei que sei. eu sei que sei saber, mas eu não quero saber, eu quero sentir, eu quero sentir e sentir e sentir e ter esperança.
eu falei que queria ouvir ele, mas ele não tinha muito a dizer. eu queria lembrar de tudo que ele disse. em todos os detalhes. ele disse que estava gripado - e os sentimentos, eu disse, ele disse - estou triste e aliviado. alívio de não ter mais que pensar em como suas ações afetam os outros, triste pela situação. disse que está se renovando, eu entendo, que tá cortando algumas coisas da vida - como nossa relação, eu disse, é... acho que ele ficou ofendido, mas eu precisava daquilo. disse que não se sentia confortável na minha casa (razoável, eu disse, eu também não me sinto na sua, não é nosso espaço, sabe) e que devolveu a chave porque achava que deveria... disse que não estava planejando nada e que não transava comigo porque tinha tanta coisa na cabeça - por que não me disse essas coisas - eu tentei dizer, do meu jeito. eu não entendo o jeito dele e pego as coisas com demora. eu disse que nossa última foda foi a melhor e disse como queria que meu corpo fosse usado, mas ele não quer mais o meu corpo.
eu falei que tinha planos, expectativas, que ele me fez ter planos, expectativas, e ele disse que ele deixou de tê-los porque eu colocava ele no chão, sabe, não deixava sonhar demais. é verdade, eu atentava muito para isso, mas céus, céus, céus VAMOS TER UMA VIDA AGORA
eu falei que talvez saísse de casa, ele ficou feliz. disse para convidá-lo, eu disse que convidaria. perguntei se ele já tinha avisado as pessoas - algumas, sim - sua mãe? - sim - deu o presente? - sim, ela gostou - que bom, disse, escolhi com carinho
eu queria ouvi-lo, mas ele não sabia o que dizer. eu queria ouvi-lo pra sempre, na verdade, e posterguei nossa partida o quanto pude. eu chorava e choro ainda (por quanto tempo?) me chamam para sair, eu saio, mas choro.
- estou aqui se você precisar, tá? - eu fico feliz de saber disso
eu quero que ele precise
mas sei que não posso querer
e agora, como restaurar o sentimento de mundo? como encontrar graça na vida? ressignificar os gestos mais básicos, como esse colchão, o pote de biscoitos de curitiba, frango frito, quando ainda comíamos carne, céus, a varanda e as lembranças, as lembranças, as lembranças que vão ficar na minha cabeça como um fantasma de OLHA O QUE PODE SER A FELICIDADE
a verdade é que eu fui tão feliz, tão feliz, que agora não sei se poderei ser novamente. na maioria das vezes eu to apenas ok, sabe, eu to ok porque é mt ruim estar nessa realidade, eu to ok e estar com ele era tão... aconchegante. eu queria esse aconchego. eu queria ter crianças que sentissem o quanto aquele colo era seguro, aquele olhar, carinhoso, aqueles abraços, apertados, aqueles músculos, firmes, aquela cabeça, brilhante, aquele ser: lindo.
- você é um homem incrível, sabia? - eu não sou - to dizendo que é
- eu fazia apenas o mínimo e isso era muito pra você - é porque seu mínimo era radiante
eu to triste, sabe, e não sei por quanto tempo vou continuar triste, e vou ficar tão triste por tanto tempo, eu não sentia isso desde 2012, é ruim demais ficar triste triste triste e sem perspectiva de se sentir feliz, porque felicidade FELICIDADE nossa, ela é tão rara hoje em dia
queria até uma alegria mansa de clarice, sabe, to aceitando ela também, eu queria uma alegria mansa
eu queria ter aprendido antes o que to aprendendo agora porque se tivesse aprendido talvez não precisasse aprender
e viver na ignorância é uma bênção
eu to triste, sabe, tão triste que nem sei
por quanto tempo eu vou
ficar tão triste assim
pra onde vai o amor que você não pode mais trocar?
3.3.17
Não sou feito de carnaval
Pós quarta-feira de cinzas, dois mil e dezessete.
Não sou feito de carnaval.
Nada contra a festa, na realidade eu até gosto bastante, mas minha personalidade não se adapta bem aos festejos de uma cidade inteira em festa pública.
Sou de prazos e regularidades, padrões, sequências; a noite de sexta é, portanto, o choque natural do pedro-sociólogo acostumado às massas trabalhadoras e cansadas, silentes no transporte público, com a noite da explosão, dos estilhaços de realidades, da brincadeira de ser quem se quer.
Digo, racionalmente eu entendo, eu sei que vou presenciar tudo aquilo; meu espírito, no entanto, demora a adaptar-se - geralmente acontece lá pelo terceiro dia - e enquanto isso viro o chato do rolê, a cara emburrada no bloco.
Passei um glitter na cara e, preocupado com minha aparência, só depois notei que bastava o desejo de brilhar para justificar o que quer que estivesse na minha testa.
Esse ano fiquei na cama assistindo animes e séries quatro dias consecutivos. Achei que fosse sair algum dia, talvez um convite irrecusável, mas este não veio.
Minha ressaca da folia é readaptar-me à rotina das burocracias habituais
Não sou feito de carnaval.
Nada contra a festa, na realidade eu até gosto bastante, mas minha personalidade não se adapta bem aos festejos de uma cidade inteira em festa pública.
Sou de prazos e regularidades, padrões, sequências; a noite de sexta é, portanto, o choque natural do pedro-sociólogo acostumado às massas trabalhadoras e cansadas, silentes no transporte público, com a noite da explosão, dos estilhaços de realidades, da brincadeira de ser quem se quer.
Digo, racionalmente eu entendo, eu sei que vou presenciar tudo aquilo; meu espírito, no entanto, demora a adaptar-se - geralmente acontece lá pelo terceiro dia - e enquanto isso viro o chato do rolê, a cara emburrada no bloco.
Passei um glitter na cara e, preocupado com minha aparência, só depois notei que bastava o desejo de brilhar para justificar o que quer que estivesse na minha testa.
Esse ano fiquei na cama assistindo animes e séries quatro dias consecutivos. Achei que fosse sair algum dia, talvez um convite irrecusável, mas este não veio.
Minha ressaca da folia é readaptar-me à rotina das burocracias habituais
12.8.16
eu já não sei quem eu sou
eu já não sei quem eu sou
eu já não sei meus desejos e ânsias
prendo ao máximo a respiração e mesmo o instinto primitivo dos pulmões plenos de ar
parece mais um tipo de consciência involuntária ao viver
como que melhor não tá
mas pior sempre fica?
não que eu queira me matar, não
realmente não o desejo queria apenas
saber
o que mantém esse corpo junto
átomos atados corrente de nós
impulso
o que me move?
o que me basta?
eu queria saber de onde vem a vontade de escrever
e de espirrar
sobre como consigo ler letras e cantar em pensamento
vejo as árvores e suas folhas
ouço pássaros
enfim,
o que me move?
o que me basta?
tão vazio de algo estou que nem ao menos perguntas sensatas e pensamentos uniformes consigo produzir,
algo de realmente estranho porque minha mente mimetiza memórias de outrora sempre todas
racionais racionais
uma razão de todo burra porque nunca sentimental, uma razão que jamais tomou sentimentalismos como parâmetros de cognição que já desprezou afetos
porque acreditava em algum lógica interna ao indivíduo.
há tanto tempo não escrevo...
eu já não sei meus desejos e ânsias
prendo ao máximo a respiração e mesmo o instinto primitivo dos pulmões plenos de ar
parece mais um tipo de consciência involuntária ao viver
como que melhor não tá
mas pior sempre fica?
não que eu queira me matar, não
realmente não o desejo queria apenas
saber
o que mantém esse corpo junto
átomos atados corrente de nós
impulso
o que me move?
o que me basta?
eu queria saber de onde vem a vontade de escrever
e de espirrar
sobre como consigo ler letras e cantar em pensamento
vejo as árvores e suas folhas
ouço pássaros
enfim,
o que me move?
o que me basta?
tão vazio de algo estou que nem ao menos perguntas sensatas e pensamentos uniformes consigo produzir,
algo de realmente estranho porque minha mente mimetiza memórias de outrora sempre todas
racionais racionais
uma razão de todo burra porque nunca sentimental, uma razão que jamais tomou sentimentalismos como parâmetros de cognição que já desprezou afetos
porque acreditava em algum lógica interna ao indivíduo.
há tanto tempo não escrevo...
8.6.16
escrever ainda salva
talvez eu esteja deprimido talvez eu
esteja precisando de ajuda? penso
sem muita certeza, porque veja
veja: eu não sei bem meu caminho
mas eu nunca soube mesmo e é essa a questão. eu nunca soube bem o meu caminho e sempre lidei bem com isso, sempre segui fui seguindo até chegar
onde? eu cheguei aqui - "cheguei" - e permaneço, ou fico? eu fico aqui ou vou, digo, talvez vá, talvez fique,
eu sou geminiano ou deprimido?
eu sou indeciso ou covarde?
eu sinto o que penso
penso no que faço
faço o que quero
eu sinto no que ajo?
eu estou deprimido ou
será que eu gosto de preencher-me com dúvidas,
de nutrir-me com projetos de ilusões de descaminhos será
que gosto disso, desse desabor do sonhar?
estou deprimido ou será que
só sou criativo quando melancólico,
engraçado quando constrangido
sóbrio quando chapado
estou deprimido
ou consciente de meus vícios
de minhas doideras
de meus artifícios
refletindo
sobre
a existência...
estou deprimido, será?
eu realmente considero a possibilidade, sabe,
tem dias que eu to tão triste mas TÃO TRISTE
que nem chego a sentir dor.
nem chega a cair lágrima
apesar da angústia do
tempo: espero passar....
talvez eu precise de terapia, sim,
mas não agora não
queria que meu pai, que minha mãe,
fossem quem pagassem minha analista...
parece que preciso que consertem os nossos erros...
e algumas roupas se lavam em casa, afinal.
talvez eu não lave passe
cozinhe trabalhe o
suficiente talvez será
que se eu trabalho louça
suja ou trabalho
será que fazendo algo algo
será contracheque será
que
será que isso distrai minha tristeza
ou traz novos semblantes ao sofrer?
será que eu sofro...
ou sequer o sei
saberia dizer...
esteja precisando de ajuda? penso
sem muita certeza, porque veja
veja: eu não sei bem meu caminho
mas eu nunca soube mesmo e é essa a questão. eu nunca soube bem o meu caminho e sempre lidei bem com isso, sempre segui fui seguindo até chegar
onde? eu cheguei aqui - "cheguei" - e permaneço, ou fico? eu fico aqui ou vou, digo, talvez vá, talvez fique,
eu sou geminiano ou deprimido?
eu sou indeciso ou covarde?
eu sinto o que penso
penso no que faço
faço o que quero
eu sinto no que ajo?
eu estou deprimido ou
será que eu gosto de preencher-me com dúvidas,
de nutrir-me com projetos de ilusões de descaminhos será
que gosto disso, desse desabor do sonhar?
estou deprimido ou será que
só sou criativo quando melancólico,
engraçado quando constrangido
sóbrio quando chapado
estou deprimido
ou consciente de meus vícios
de minhas doideras
de meus artifícios
refletindo
sobre
a existência...
estou deprimido, será?
eu realmente considero a possibilidade, sabe,
tem dias que eu to tão triste mas TÃO TRISTE
que nem chego a sentir dor.
nem chega a cair lágrima
apesar da angústia do
tempo: espero passar....
talvez eu precise de terapia, sim,
mas não agora não
queria que meu pai, que minha mãe,
fossem quem pagassem minha analista...
parece que preciso que consertem os nossos erros...
e algumas roupas se lavam em casa, afinal.
talvez eu não lave passe
cozinhe trabalhe o
suficiente talvez será
que se eu trabalho louça
suja ou trabalho
será que fazendo algo algo
será contracheque será
que
será que isso distrai minha tristeza
ou traz novos semblantes ao sofrer?
será que eu sofro...
ou sequer o sei
saberia dizer...
talvez a depressão seja esse eterno questionar...
a depressão, será, será que eu
posso estar
ficando
deprimido?...
eu não sei,
será que preciso de ajuda ou
escrever
ainda
salva.
6.5.16
mudança imposta
retrocesso à realidade
resgatada de início
forte: choque
tempo o mesmo
tempo o mesmo
gritos e sussurros e liberdade posta sob as grades do olhar
cortante
do respeito autoritário
o tempo é o mesmo mas sou outro, penso
acredito realmente que algo vá mudar que eu
vá mudar, creio, espero,
que mude, mude
mude
o ritmo do passo parece o mesmo e tudo o que posso é respirar calma e profundamente
sem esquecer-me quem sou
retrocesso à realidade
resgatada de início
forte: choque
tempo o mesmo
tempo o mesmo
gritos e sussurros e liberdade posta sob as grades do olhar
cortante
do respeito autoritário
o tempo é o mesmo mas sou outro, penso
acredito realmente que algo vá mudar que eu
vá mudar, creio, espero,
que mude, mude
mude
o ritmo do passo parece o mesmo e tudo o que posso é respirar calma e profundamente
sem esquecer-me quem sou
rumo ao inerte
contemplo o vazio
da vida que criei:
ser nada mais do mesmo
10.4.16
como colocar em palavras aquilo que regojiza
boca aflora pelo
reto, cinco
propaganda, propaganda
que decepção traidor mudou de lado
pra mim é o princípe bruxo descobrimos seu truque a súplica qq custava morrer de fome só pra fazer música
agora é a madalena arrependida com conservantes
que que custava morrer
de fome
só pra fazer música
boca aflora pelo
reto, cinco
propaganda, propaganda
que decepção traidor mudou de lado
pra mim é o princípe bruxo descobrimos seu truque a súplica qq custava morrer de fome só pra fazer música
agora é a madalena arrependida com conservantes
que que custava morrer
de fome
só pra fazer música
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