18.5.18

eu queria voltar ao tempo que nem sabia que você existia. só assim não conhecer seu olhar carinhoso e sua forma de cuidado. só assim eu não ia saber como poderia um homem me desejar na cama e cuidar de mim quando estivesse doente, ou então fizesse planos pro futuro como se o sentimento fosse eterno, e me fizesse mudar tanto e tão rápido e sentir tanto e tanto como agora, essa dor no peito que não para e esse desejo de nutrir esperanças burras. eu queria poder te falar tudo isso, eu queria que tivesse em algum momento falado que eu tinha esse blog porque assim poderia também nutrir a esperança de que você eventualmente olharia isso, mas não, nunca tive coragem, nunca tive coragem de dizer tantas coisas e agora eu me culpo por isso e portanto eu, ai de mim, eu choro.
por que tudo me lembra você?

eu ando na cidade e você na cabeça. eu vejo coisas na internet que você gostaria, penso em peripécias desimportantes que, oras, jamais pensaria em ti; agora eu penso.

eu não consigo te tirar da cabeça e não sei quanto tempo assim ficarei.

eu nutro esperanças patéticas porque te amo, porra

eu te amo e, pela primeira vez, odeio esse sentimento
reabitar espaços e tempos antes ocupados pelo seu afeto

lá vou eu de novo

deve ser mais fácil ser a pessoa que termina
e não quem leva o chute na bunda

eu sei que ele precisa de si mesmo, não de mim
e que seu carinho por mim ainda é grande
apesar dos novos ares almejados

eu sei que os passos ritmados já não bastam
nesse mundo moinho ingrato dos sonhos
eu sei... do que que eu sei,

weholfmslhilhufdsdnolsmkmsgniçosdngewhuoihnegwg

eu recebo carinho e atenção de outras pessoas mas eu quero o seu carinho e atenção
eu recebo convites de outras pessoas mas eu quero os seus convites
quero essas banalidades que a gente tinha e que agora você evita

hoje sua amiga veio falar comigo e eu, forte, não implorei para que ela te convencesse do contrário
que eu te faço bem e vice versa

eu vaguei pelo centro da cidade com um olhar marejado de lembranças
alguma esperança?

hwwuiflgnek.fngeoiçrmg3çl~eç






vontade de nada

17.5.18

todas as vezes que não seguramos as mãos e não tiramos fotos quando estávamos felizes e não registramos em beijos que não estaríamos juntos

todas as vezes que eu saí da cama sem te acariciar o rosto barbado e os olhos sonhando (o que?)

aquelas vezes que eu poderia ter perguntado sobre o que estaria pensando, eu quase nunca perguntava

pensando bem, você nunca me contava seus sonhos

as comidas que nunca mais faremos

a decoração que não vamos escolher

as crianças que não vamos amar

os gatinhos que teríamos

(não teremos)

sabe,

tudo isso é tão

lindo...

"é difícil, né... crescer"

sim, é bem difícil
eu me sinto uma criança mimada sabe
quero quero quero quero
teu desejo, teu afeto

quero seus braços enrolados no meu pranto e teus lábios dizendo que me ama
não esse amor fraternal de merda, não
porra

eu quero aquele amor com GOSTO, aquele que fode a noite inteira e

não, nada disso

hoje eu peguei o metrô e chorei depois de conversar com você na manon
foi lá que eu percebi que nossos planos fugiram e que aprendemos juntos
sobre caminhos separados

racional, tentei de induzir ao erro de frustrar a tentativa decidida e falhei
(que bom)
falhei em pensar que poderia voltar a algo que não foi
(era?)
o que pensava, eu falhei

hoje eu te entreguei todas as suas coisas que minha raiva alcançou naquele sábado e couberam em duas sacolas de papel. uma delas tinha aquele ovo de páscoa que ganhei da minha irmã e dividimos porque era muito doce pra mim. foi bom, sabe, eu gostava de dividir doces com você e laricas com farelos na cama. hoje a gente entrou na manon e sentou próximo a um casal, pareciam um casal de homens, como nós, antes garotos agora homens, que se amam (amavam) que se amam e se desejam (eu desejo) e conversavam. eu tinha uma lista anotada no celular, queria falar tudo, eu queria falar tudo que meu coração pedia enquanto aos prantos justificava o porquê de não nos querer o destino festejar, de não querer dividir um apartamento barato, pensar em ter crianças e fugir pro interior quando desse vontade. eu fiquei tentando entender por que nossos planos passados se foram e por que você pareceu ter me cortado de uma vez só, sem nem chance pra tentar, e tentar, e tentar até gastar toda a energia que havia em mim porque o amor tem dessas, o amor te entrega ao ódio de querer alguma coisa que você não sabe e faz sem saber porque sente, sabe. eu queria tentar, você disse que tentou, eu não soube identificar as tentativas e agora acuso o pedro-passado de não ter se esforçado (ele se esforçou!!!!!!) mas o pedro presente, nossa, está puto com o passado. por que gritei no carnaval? por que por que por queeeeeeeeeeeeeeeee eu fiz tudo o que fiz, falei o que disse, por que eu

por que não nós?

a gente se dava tão bem e parece que no primeiro problema, tchau, sabe, no primeiro problema você pensa que pode ir embora MAS NÃO PODE (claro que pode) e foi, foi embora e eu aqui, nossa, eu aqui TRISTE e com RAIVA e essa merda desse mundo que continua?????

eu te falei das minhas expectativas chorando e tentei, patético, sensibilizar-te de minha causa. em vão. nenhuma lágrima no rosto, eu levei até uma cartinha, porra, que bosta, ainda falei isso BAIXEI MINHAS DEFESAS PRA TENTAR MANTER ESSE QUERER, céus, céus, eu tentei.

quero tentar de novo, mas chega. quero enviar mensagens, mas basta. sua conversa será esquecida naquela fila interminável do whatsapp, eu vou querer te enviar uma curiosidade, uma anedota sobre meu viver, mas não. eu vou querer ouvir falar sobre sua prova e sobre o fim do semestre - em vão. eu vou querer tantas coisas que não terei. eu vou querer sua presença aqui, agora, céus, FOSSEM OUTROS TEMPOS, fosse 2013 eu estava nos seus braços sem saber que agora não mais estaria.

foram 5 anos.

nada, eu sei. eu sei que sei. eu sei que sei saber, mas eu não quero saber, eu quero sentir, eu quero sentir e sentir e sentir e ter esperança.

eu falei que queria ouvir ele, mas ele não tinha muito a dizer. eu queria lembrar de tudo que ele disse. em todos os detalhes. ele disse que estava gripado - e os sentimentos, eu disse, ele disse - estou triste e aliviado. alívio de não ter mais que pensar em como suas ações afetam os outros, triste pela situação. disse que está se renovando, eu entendo, que tá cortando algumas coisas da vida - como nossa relação, eu disse, é... acho que ele ficou ofendido, mas eu precisava daquilo. disse que não se sentia confortável na minha casa (razoável, eu disse, eu também não me sinto na sua, não é nosso espaço, sabe) e que devolveu a chave porque achava que deveria... disse que não estava planejando nada e que não transava comigo porque tinha tanta coisa na cabeça - por que não me disse essas coisas - eu tentei dizer, do meu jeito. eu não entendo o jeito dele e pego as coisas com demora. eu disse que nossa última foda foi a melhor e disse como queria que meu corpo fosse usado, mas ele não quer mais o meu corpo.

eu falei que tinha planos, expectativas, que ele me fez ter planos, expectativas, e ele disse que ele deixou de tê-los porque eu colocava ele no chão, sabe, não deixava sonhar demais. é verdade, eu atentava muito para isso, mas céus, céus, céus VAMOS TER UMA VIDA AGORA

eu falei que talvez saísse de casa, ele ficou feliz. disse para convidá-lo, eu disse que convidaria. perguntei se ele já tinha avisado as pessoas - algumas, sim - sua mãe? - sim - deu o presente? - sim, ela gostou - que bom, disse, escolhi com carinho

eu queria ouvi-lo, mas ele não sabia o que dizer. eu queria ouvi-lo pra sempre, na verdade, e posterguei nossa partida o quanto pude. eu chorava e choro ainda (por quanto tempo?) me chamam para sair, eu saio, mas choro.

- estou aqui se você precisar, tá? - eu fico feliz de saber disso

eu quero que ele precise
mas sei que não posso querer

e agora, como restaurar o sentimento de mundo? como encontrar graça na vida? ressignificar os gestos mais básicos, como esse colchão, o pote de biscoitos de curitiba, frango frito, quando ainda comíamos carne, céus, a varanda e as lembranças, as lembranças, as lembranças que vão ficar na minha cabeça como um fantasma de OLHA O QUE PODE SER A FELICIDADE

a verdade é que eu fui tão feliz, tão feliz, que agora não sei se poderei ser novamente. na maioria das vezes eu to apenas ok, sabe, eu to ok porque é mt ruim estar nessa realidade, eu to ok e estar com ele era tão... aconchegante. eu queria esse aconchego. eu queria ter crianças que sentissem o quanto aquele colo era seguro, aquele olhar, carinhoso, aqueles abraços, apertados, aqueles músculos, firmes, aquela cabeça, brilhante, aquele ser: lindo.

- você é um homem incrível, sabia? - eu não sou - to dizendo que é
- eu fazia apenas o mínimo e isso era muito pra você - é porque seu mínimo era radiante

eu to triste, sabe, e não sei por quanto tempo vou continuar triste, e vou ficar tão triste por tanto tempo, eu não sentia isso desde 2012, é ruim demais ficar triste triste triste e sem perspectiva de se sentir feliz, porque felicidade FELICIDADE nossa, ela é tão rara hoje em dia

queria até uma alegria mansa de clarice, sabe, to aceitando ela também, eu queria uma alegria mansa

eu queria ter aprendido antes o que to aprendendo agora porque se tivesse aprendido talvez não precisasse aprender

e viver na ignorância é uma bênção

eu to triste, sabe, tão triste que nem sei
por quanto tempo eu vou
ficar tão triste assim

pra onde vai o amor que você não pode mais trocar?

3.3.17

Não sou feito de carnaval

Pós quarta-feira de cinzas, dois mil e dezessete.

Não sou feito de carnaval.

Nada contra a festa, na realidade eu até gosto bastante, mas minha personalidade não se adapta bem aos festejos de uma cidade inteira em festa pública.

Sou de prazos e regularidades, padrões, sequências; a noite de sexta é, portanto, o choque natural do pedro-sociólogo acostumado às massas trabalhadoras e cansadas, silentes no transporte público, com a noite da explosão, dos estilhaços de realidades, da brincadeira de ser quem se quer.

Digo, racionalmente eu entendo, eu sei que vou presenciar tudo aquilo; meu espírito, no entanto, demora a adaptar-se - geralmente acontece lá pelo terceiro dia - e enquanto isso viro o chato do rolê, a cara emburrada no bloco.

Passei um glitter na cara e, preocupado com minha aparência, só depois notei que bastava o desejo de brilhar para justificar o que quer que estivesse na minha testa.

Esse ano fiquei na cama assistindo animes e séries quatro dias consecutivos. Achei que fosse sair algum dia, talvez um convite irrecusável, mas este não veio.

Minha ressaca da folia é readaptar-me à rotina das burocracias habituais