16.12.13

Acho que eu sou uma daquelas pessoas que a subjetividade foi profundamente afetada por essa integração android nossa de cada dia: qual o meu nome na agenda do celular? Publicou foto comigo no facebook? Fala comigo as coisas mais ordinárias da vida no whatsapp?

É idiota, mas acho que essas coisas dizem muito. Ou pra mim dizem bastante, sei lá.

enfim

9.12.13

Nostalgia do presente é sinal de maturidade?

Saber que as coisas acabam, terminam, vêm, vão, e a vontade de viver o agora como nunca mais: isso é bom?

Eu sempre gostei do infinito. A ideia de "pra sempre" já foi tão certa pra mim quanto os segundos que passam. Mas é bem isso mesmo: os segundos passam, passarão, passarinho etc.

Passamos eu e você, vamos passar eu e ele e, tão breve quanto as memórias, pá. Acabou.

Sério, isso é tão triste...

Por que eu sei que em um segundo já terminei o curso de ciências sociais e vou começar a surtar com o mestrado e doutorado e aí quando eu vi to batendo na porta do desemprego e miséria?

Eu me prendo muito ao passado talvez por isso: sempre achei que fosse pra sempre. Aí, óbvio, machuco os outros porque sou um egoísta fodido, mas continuo como? Egoísta & fodido.

Pois bem, passarinho o caralho. To mais é pra, sei lá, minhoca, baleia em putrefação, coisas do tipo. Talvez guardar tudo isso seja o pior

Pra quem eu escrevo isso? eu ele você nós tudo isso vai fazer algum sentido em 10 anos? 20 anos? Uma eternidade?

Nossa, e essa coisa louca de tentar descrever a realidade e sentimentos? Tava pensando nisso outro dia. Difícil pra caralho (e não nos ensinam isso no colégio) (na faculdade até tentam, mas é tão falho que nem dá pra levar a sério)

Daí tentei falar do roxo-melancola da almofada ou da meia-luz da sala sem sucesso

mais fácil ser pedante que ser poeta
Dizem que o amor é essa coisa quando você se vê no outro de um modo tão dialético que quando você percebe se projeta a ponto de acharem que são um mas aí uma hora a ficha meio que cai dizendo "ei, que porra é essa" e aí é como se o reflexo do espelho se movesse e virasse as costas e aí você não tem mais referencial pra pentear o cabelo e fica muito mal mesmo porque você realmente gosta do seu cabelo e pensa que tá saindo na rua com ele todo bagunçado. Daí em algum momento você precisa tomar uma atitude. Uns raspam logo a cabeleira e saem por aí carecas - eu tenho orelhas de abano e aprendi a ajeitar o cabelo com as mãos, sem precisar de espelho nenhum - mas aí eu sempre fico pensando em como será que tá minha imagem que se foi há muito. Eu poderia cortar logo o cabelo de outro jeito, mas sei que ficaria muito escroto e meu cabelo é muito liso, fica sempre assim como tá agora, não adianta mesmo, acredita em mim. Pois bem, acho que é mais ou menos isso o amor - a gente sempre tem os good e bad hair days
Porque, sabe, ficar atualizando o facebook assim, a tarde toda, a noite toda, não deve ser, digamos, saudável. Nada de novo acontece mas você continua aí, olhando as atualizações alheias, julgando as fotos da festa e lamentando amores e flores que se foram.

É, mas coisa melhor eu não teria pra fazer. Os livros há muito nada me dizem e as canções parecem que perderam a harmonia depois do que se foi. Atualizar as intimidades dos outros me afasta de mim, me limita aos outros: me defino e mendigo, a todo o tempo, curtidas vazias.

E se você lavasse a louça da noite anterior? Vai passar as roupas que acumulam e clamam pela ordem.

Que ordem? Já não sei o que é andar com a barra da calça alinhada ou os sapatos amarrados. Tropeço na rua e me levanto sem ajuda, pra que sujeitar-me a tudo isso?

Não sei, não sei de nada mesmo. Quer dizer, e isso tudo aqui, serve de alguma coisa?

Pelo menos distrai.

É, talvez
A quem interessa minha vida? Se eu morrer aqui, agora, quem vai dar a maior das guirlandas de flores e a mais pesada lágrima a escorrer do rosto?

Meu chefe ou minha mãe? Meus amigos ou meu stalker? Deus?

Já morri mesmo, não me interessa o que mortais pensam. 

On the day that daniel Cowman stopped existing
The world should've ended right there and then
At precisely four-fifteen when he stopped existing
The world should've ended
How could it go on?
How could it go on?
How could it go on?

Mas aí planejam meu enterro, fazem atestado de óbito e eu: morto. E se eu só quiser desaparecer, sumir do mapa, que fazer?

Ah, nesse caso é morte presumida, diria o jurista que fez seu dever de casa. Código Civil, artigo foda-se.

Mas e então, e daí, que faço eu? Eu que fiquei, eu que chorei, eu que sofri?

Bem, você eu não sei, mas eu já não existo mesmo, diferença é que não faz pra mim. Morri pra você, morri pro mundo. Morremos todos, vivemos poucos, sofremos o tempo inteiro. Relatos de uma madrugada que mal chegou e já trouxe a melancolia