20.11.15

é bem mais difícil do que se imagina observar coisas óbvias



this is a vaporwave experiment,







(ouça),



o óbvio peca pela subestimação: da própria consciência, da consciência alheia, da realida

o óbvio, por vezes, subtrai-se em deboche e corta, de imediato, olhares outros que porventura poderiam - podem - dotar quem os fenômenos vê de um pensamento mais criterioso, sinuoso,

mente quem diz que

óbvia realidade aparece, claro, sem muitos mais ornamentos que a fumaça que dissipa,
que a luz que escapa,
que a matéria que molda
a terra a girar

constantesempre

óbvio, certo, sim termos que confundem termos que

se empregados levianamente, se

poderiam custar alguma coisa
óbvia vida:

somente o improvável: óbvio
somente o inconstante; óbvio
dizem, apenas o importante, óbvio
dizem dizer . certamente o óbvio ...




dizem parece seria suposta menos seria
mais relevante que o absurdo::

pensa de novo e de novo - criar sentido fantasia não é nenhum mistério

it-s all iN yourr heDadd

it-s aLL in yOur hea,d


17.11.15

estou com um vazio muito estranho desde ontem. é um vazio de certa forma incômodo, mas ele não doi, ele não pesa, ele não faz necessariamente falta. fiz de tudo, veja, fumei um beck, desenhei no photoshop, tretei no facebook e nada, o vazio permanece, não acho que ele vá ser preenchido. não é falta de comida, comi chocolate. falaram que é falta de comida, mas ontem me entupi de chocolate e nada. bati uma punheta e foi a coisa mais sem graça do mundo.

o que poderia ser esse vazio? pensei que poderia ser a coisa que te faz ter ânsia de produzir escrita, produzir imagem, enfim, transmitir uma mensagem porque poxa, alguém mais deve sentir esse vazio terrivelmente estranho, terrivelmente sóbrio.

em dados momentos parece que ele vai embora. você sente uma vibração estranha a respeito de qualquer coisa assim, sei lá digamos um ônibus passa do ponto ou quase te atropela. toma-se um susto do caralho ou uma raivinha chata tipo 'vou ter que andar tudo isso', enfim, o vazio parece que passa.

não, na real ele ainda tá ali. mas enfim, é difícil perceber isso assim na realidade durante o tempo, mas enfim enfim, a questão é: qual é a desse vazio?

qual é a desse sentimento que nos faz querer inspirar expirar tentar de novo



Tenho uma dor constante. Uma dor que é quase indescritivel, uma dor que nao devia existir.  Posso sentir o contorno do meu coraçao e sinto ele batendo, como que a cada batida ele desistisse mais ainda de bater.
Nao consigo pensar em mais nada, tudo é azul, tudo é cinza, tudo é preto, Descobri que a dor fisica faz me esquecer da dor emocional, e comecei a me machucar. Cortei as unhas para evitar essa tentaçao, mas o vazio continua. Mas esse vazio eu sei de onde vem. Esse vazio esta sendado ao meu lado com um cigarro na mao. Esse vazio Quer me preencher mas ao mesmo tempo esse vazio tem medo de me preencher. Quero me afogar em alcool por que perco a memoria e perco os sentidos e no momento essas sao duas coisas que nao quero.
Eu sei que ele gosta de mim, eu sei que ele quer o que eu quero, mas ele esta preso, esta se impedindo de se aproximar como eu sei que ele quer, e acho que isso é ainda pior do que se ele nao gostasse de mim. Parte de mim não aguenta mais estar sozinha. Parte de mim não aguenta a possibilidade de vivver sem amor. Parte de mim vê mais tentaçao numa faca do que num pedaço de chocolate.
uuuuugggghhhhhh

11.10.15

se era pra ser entusiástico qualquer discurso aqui proposto desculpo-me sinceramente à leitora desconhecida, mas peco pelo desânimo com qualquer pouco obstáculo no caminho.

salvo-me, entretanto, pela curta memória em minha lembrança, sempre substituindo os dramas de outrora pelo fracasso de ontem. sigo, sigo, sigo, coleto alegrias e tristezas tentando cristalizá-las em algo inteligível mas veja, veja, veja bem: jamais consigo. Leitora, veja bem, eu não consigo pois tais palavras, sentimentos, seus dramas e compromissos são sempre compromissos com minha própria mente, leitora, veja, eu nunca nunca consigo transmitir sentimento de vida, sentimento contraste, sentimento sol poente sobre as águas e folhas sobre os prédios e suas nuvens sempre chuvosas.

Leitora, estou preso numa realidade caótica que te obriga obriga obriga a adequar-se à lógica imposta para tentar realizar os sonhos que você acha que precisa. Leitora, até os ônibus estão infestados de propagandas. Leitora, eu nunca soube o que faço.

Doses homeopáticas de adrenalina pontual são o que me lançam ao dia de amanhã. Algumas são pensamentos, a maioria são pessoas. Uma em particular, ato perigoso eu sei, eu sei, mas é um sentimento tão bom que sem ele eu não sei o que seria de mim hoje.

Não sei terminar bem textos, peço desculpas, jamais me ensinaram a rebeldia necessária para levar a luta ao desespero. Peço paciência e perdão à leitora distraída.


o tempo passa e o sentimento de importência perante os fatos da vida é cada vez maior. se antes as poucas perspectivas convergiam para um livro dentro de bibliotecas, um quadro dentro de museus e uma música dentro de uma sinfonia, agora acesso qualquer endereço meia boca internet afora para sentir-me atrasado como sempre, debilitado como nunca, pequenino frente à massa de dados inundando telas de dispositivos e parasitando nas mentes rebeldes de um sermão qualquer.


já nem sequer faço algum qualquer sentido
talvez eu não seja tudo o que pareço ser e o futuro que me resta seja apenas um tipo de ilusão pela qual criei afeto. talvez o cotidiano seja o que me baste sem eu saber, seja o que acalenta meu pensamento. quem sabe todo esse esforço será um dia em vão, sequer lembrança opaca na poeira do tempo, no presente incerto que é a existência. pode ser que um dia eu me acomode n'algum canto e lá eu fique, quieto, esperando a próxima quebra de rotina e mais um motivo para sorrir, outro para chorar, procurando apenas preocupações vagas como a fila do supermercado e qualquer tipo de entretenimento enquanto nada mais posso fazer. talvez eu venha a rezar, um dia. talvez eu olhe para todas as elites políticas, artísticas, intelectuais e veja que sim, nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não. pode ser ainda que eu não me importe com tudo isso, que eu apenas acrescente ao pensamento presente a ideia de conformidade com o estado das coisas, aceitando a perspectiva da eternidade enquanto um acalento pro coração. talvez eu quisesse me sentir perdido de novo para sentir ter encontrado caminho algum.

8.10.15

hoje eu tive um sonho estranho. foi um sonho vívido, como poucos na vida, e nele a consciência - não do sonho em si, mas de tudo o que nele acontecia - era absurda. 

foi um daqueles sonhos sem pé nem cabeça, eu estava na fgv e algo me puxava para um prédio ao lado, eu e lucas. lucas ficou no térreo, eu peguei sem nem saber o porquê um dos elevadores até o décimo andar, não comandava meu corpo e minha mente só vagava pelas imagens que vinham. saía do elevador fluando e, frente a uma menina desconhecida, perdi todo o medo e de súbido sabia o que estava acontecendo. apenas olhei fixamente para ela e perguntei onde era. ela apontou para um porta, entrei para enfim encarar outra menina, mas com esta foi diferente. falei por pensamento que não sabia o que acontecia mas sabia que tinha o poder e que tinha consciência e qualquer coisa do tipo, ela talvez tenha respondido com algo inteligível mas isso não importa. no final do sonho pensei em como tudo fazia tanto sentido que eu precisaria lembrar dele para sempre. ainda enquanto dormia, consegui rememorar todos os passos (ainda frescos na minha cabeça, impossíveis de serem transpostos em palavras) do esquisito sonho.

gosto de sonhar assim

7.10.15

queria ter me encontrado em uma carreira que pudesse prover uma profissão nos moldes tradicionais do termo. que eu entrasse na faculdade, fizesse um estágio, me esforçasse nele e nele aprendesse; contratação, construção de carreira, definição da vida nos moldes padrões. não essa ladainha de mestrado de doutorado para então talvez - talvez - passar em um concurso público ou ser contratado em um lugar qualquer, fazer pesquisas que meia dúzia de pessoas vão ler e achar que isso é um tipo de contribuição válida no mundo. no momento, vendo minha força de trabalho intelectual para um garoto que não quer fazer seu trabalho e, oras, eu quero demais ir a um show. é o jeito de eu ganhar dinheiro, então foda-se, não é mesmo? talvez devesse ser assim, mas não sei, não consigo deixar de achar que nada disso tem sentido, que tudo isso não vai levar a lugar algum. não consigo deixar de pensar que todos os meus esforços, todos os meus anseios, no final serão resumíveis em um parágrafo contendo nome, idade, profissão, filh-s. talvez a gente não tenha um tipo de destino na terra, como queremos sempre achar. talvez nada faça sentido mesmo, e criamos as ideias para acreditarmos em nossas próprias consciências.